Uma visão futurística surgiu como um sonho, daqueles que parecem mais um aviso do que uma fantasia. Um rapaz me chamou para acompanhá-lo em uma missão. Tudo era estranho e desafiador: o mundo estava tomado por tensão e desespero, enquanto um incêndio devastador se espalhava pela terra. Ele avançou pelo fogo intenso e, surpreendentemente, as chamas se transformavam em pequenos focos de fumaça por onde passava.
Senti que precisava segui-lo. Ao entrar nas labaredas, meus pés queimaram e um calor abrasador tomou conta do meu corpo. Mas, à medida que eu avançava, o fogo já não me feria; nem brasas, nem calor. O desejo de acompanhá-lo na missão me envolveu de tal forma que o perigo deixou de existir.
Ele se movia rápido, e eu só conseguia acompanhá-lo pela trilha que deixava ou pelo movimento das folhas. Já distante, ouvi sua voz: “Encontre Pedro.” Passei a chamá-lo em meio ao caos, até que uma resposta ecoou: “Estou aqui.”
Segui a direção da voz e encontrei um ancião envolto em chamas, com olhos sombrios e uma longa barba avermelhada pelo fogo. Ao me aproximar, ele disse com firmeza: “Não pare. Continue sua missão.” E assim eu fiz.
Por onde meu guia passava, surgiam sinais de renovação e vida. Das profundezas da terra, ele trazia à tona criaturas que eu jamais havia visto. Humanos e seres estranhos se entreolhavam, incrédulos diante do que presenciavam. Eu corria em alta velocidade, determinado a não perder o contato com ele.
Chegamos a um deserto árido, de solo rachado e sem esperança. Ali, encontrei um bezerro tão magro que sua pele parecia colada aos ossos. Os olhos, enormes e salientes, fixavam-se em uma pequena touceira de capim seco. Foi então que meu guia ordenou: “Cave aqui.”
Sem hesitar, arranquei o capim e comecei a cavar com as próprias mãos. Um desconhecido correu em busca de uma ferramenta, mas ao retornar já não era necessário. O solo havia se tornado úmido e, ao retirar mais um pouco de terra, um jorro de água cristalina brotou. Imediatamente, muitos seres se aproximaram, atraídos pela nova fonte de vida.
Tomado pela emoção, ajoelhei-me, beijei a terra e deixei que as lágrimas corressem. Então, uma voz serena sussurrou: “Tenha calma, ainda há esperança na Terra.”
Essa visão futurística pode simbolizar tanto meu universo interior quanto a própria humanidade. Não devemos nos iludir: tempos difíceis e desafiadores virão. Contudo, a promessa de que a esperança permanece fará de cada um de nós voluntários na luta por dias melhores, para amparar os necessitados e reacender a chama daqueles que já perderam forças para buscá-la.
Desejo que esse período de provação demore a chegar, e que possamos desfrutar de paz por muitos e muitos séculos. Mas sei, no fundo, que ele virá.
"O conhecimento é um farol da escuridão"

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