Perigo e proteção são presenças constantes e atuantes em nosso cotidiano, desafiando cada um de nós a não cair em armadilhas físicas ou emocionais. Quando um caçador adentra a mata e prepara sua cilada, a gralha canta desesperadamente para alertar sobre o risco. No entanto, esse aviso não é suficiente para evitar que algumas vidas sejam sacrificadas. Sabe por quê? Sob a camuflagem de folhas nativas, o caçador esconde a arapuca ou o laço, colocando comida e água como isca para atrair animais famintos e sedentos. Assim, mesmo diante do alerta, muitos acabam sendo enganados pela promessa de alívio imediato.
Esse aviso também deveria servir para nós, humanos. Precisamos compreender que nem sempre a preocupação dirigida a nós tem como objetivo genuíno nos proteger. É verdade que ainda existe uma consciência coletiva, mas torna-se essencial cultivar atenção e cautela diante de uma bondade excessiva. Pais e mães, por exemplo, ensinam seus filhos a não aceitarem presentes de estranhos. O motivo é simples e profundo: proteger os inocentes das intenções de mentes doentes, que se escondem atrás de gestos aparentemente generosos.
O perigo muitas vezes se apresenta de forma disfarçada. Há pessoas que, no convívio familiar, não demonstram afinidade, mas diante de estranhos se mostram educadas e prestativas. São manipuladores que prometem resultados superiores à própria ciência; indivíduos que não conseguem amar nem a si mesmos, mas aparentam atenção e carinho com os outros. Eis aí um motivo legítimo para desconfiar.
A proteção, por sua vez, não precisa ser reconhecida por quem a oferece, mas deve se manifestar de maneira concreta. Malin, personagem do livro O Enviado de Órion, proclama o amor, mas também alerta sobre a presença de uma nuvem escura pairando sobre a Terra. Essa nuvem pode ser entendida como um perigo iminente, metáfora para alguns, parábola para outros, mas, independentemente da interpretação, o aviso está lançado.
**Desconfie de quem promete soluções imediatas para dores físicas ou emocionais. Não confie em quem exige comportamentos estranhos ou segredos absolutos. Mesmo que convivamos entre símbolos de luz e trevas, nenhuma santidade humana é plena.
Assim como o caçador utiliza alimento e água para atrair suas presas, os manipuladores oferecem promessas de milagres, curas, prosperidade e sucesso. É fundamental lembrar que os noticiários frequentemente revelam casos assustadores de pessoas que se aproveitam da fragilidade alheia, praticando crimes odiosos e inaceitáveis sob todos os aspectos.
O perigo está entre nós, silencioso e constante, mas também existe proteção. Saber como pedir ou oferecer ajuda é essencial, pois ninguém vence sozinho. A solidariedade é relativa: quem ajuda também se fortalece. Não confie em milagres realizados por mãos humanas, isso pertence às divindades, e nós não somos.
Acredite na justiça, na família, nas instituições responsáveis e comprovadamente sérias. Acredite em você: no seu valor, na sua vida, nos seus direitos. Essa confiança é fundamental, porque todos merecemos viver com dignidade. A certeza permanece: o perigo existe, mas a proteção também.

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