Sobrando espaço, o poeta percebeu que na casa sempre houve sobras, presenças silenciosas, como fantasmas que habitam nossas moradas sem que os vejamos ou sintamos, mas que coexistem sob o mesmo teto. O espaço que sobra revela, na verdade a miopia de nosso olhar: enxergamos menos do que há. E quando essa percepção nos alcança, surge um vazio que parece não ter fim, um eco interminável dentro de nós.
Então acontece a metamorfose: criamos asas e voamos em busca do que nos completa. E, no percurso, descobrimos que os espaços mais carentes de preenchimento são, na verdade o reconhecimento de nosso próprio valor. Jamais estaremos sozinhos, sobretudo quando acreditamos na força de nossa superação. A vida, com seus desafios incessantes, nos conduz ao encontro da identidade que se revela na vitória múltipla em formas diversas, mas sempre possível.
Entre o que fui e o que sou existe um abismo que precisa ser atravessado e quase sempre o tempo é longo. A pressa em alcançar o outro lado a qualquer custo tem levado muitos a situações delicadas. Pausar não significa desistir; é, antes, uma estratégia de cuidado, para que não nos percamos dentro do próprio tempo.
Preencher os espaços que sobram em nós é o mínimo gesto de lucidez. Reconhecer, com humildade, as falhas que cometemos é o atalho que nos conduz a um caminho sustentável. Aqueles que varrem seus rastros para esconder defeitos apenas mascaram o que permanece. Nenhuma vitória é solitária: quem triunfa o faz acompanhado, e apenas os ingratos esquecem aqueles que de algum modo, tiveram importância. O como ou o quando são detalhes; o essencial é que o acontecimento ficou gravado no tempo.
Muitas vezes criamos a nosa própria solidão, e quando nos isolamos do mundo, descobrimos o quanto fomos tolos. Esse espaço não é físico, mas sim, o emocional. Por isso, é essencial pensar antes de falar ou agir: em certas ocasiões, nossas palavras são lâminas que deixam cortes profundos. Não é sábio abrir espaços que nos façam perder dentro deles.
"O conhecimento é um farol na escuridão"

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