Era uma vez, em um recanto escondido entre os penhascos de uma serra verdejante, existia uma comunidade humilde, sustentada apenas pela lavoura e pela caça, sem grandes esperanças de mudança. Ainda assim, cada pai sonhava em deixar aos filhos um legado precioso: o conhecimento, tesouro que nem a seca nem as enchentes poderiam destruir. Numa pequena escola com paredes de barro, a vida pulsava. As meninas, com seus vestidos de chita colorida, e os meninos, de calça azul de tergal e camisa branca, enchiam o espaço de alegria. Nos pés, congas gastas ou simples havaianas, mas nos rostos, sorrisos que iluminavam a simplicidade. Ali, entre paredes frágeis e sonhos imensos, a esperança se mantinha viva, contagiante como o riso das crianças. Helena , uma das alunas, enfrentava dificuldades para ler . Seus pais jamais cogitavam levá-la a um oftalmologista , pois não tinham condições de comprar óculos. Ainda assim, era uma das mais animadas da turma: mesmo quando os colegas riam de sua len...