A arte de viver permanece a anos-luz da nossa capacidade de compreender plenamente a vida. A natureza humana parece destinada à busca constante, mas quase sempre caminhamos em paralelo entre o que desejamos e o que realmente importa. Esse descompasso se transforma em um verdadeiro buraco negro dentro do universo da existência.
Não devemos temer as experiências que escolhemos para nossa evolução pessoal. É preciso reconhecer que somos humanos demais para aspirar à perfeição, e justamente nessa tentativa incessante de subir mais um degrau reside o desafio da arte de viver.
A natureza nos ensina que, para não sucumbir, é necessário reinventar-se a cada instante, revelando que a sobrevivência é a base de uma nova vida. Já nós, muitas vezes, mesmo em momentos de estabilidade, acabamos atropelando nosso próprio bem-estar com preocupações sobre o futuro, e, pior ainda, com pensamentos negativos e nocivos à vida.
A arte de viver exige coragem para reconhecer a necessidade de se reinventar. No sertão nordestino, uma árvore conhecida como o “sagrado do sertão” nos oferece um exemplo grandioso dessa arte: o umbuzeiro. Ele desenvolveu raízes em forma de batatas capazes de armazenar até três mil litros de água, resistindo a longas secas. Mais do que garantir sua própria sobrevivência, sustenta inúmeras espécies, inclusive os humanos.
Essa árvore parece carregar a consciência do sacrifício inevitável para não perecer. A vida está em constante transformação, e precisamos de sabedoria e força interior para nos adaptar a cada mudança. Em terras áridas, as árvores que não se reinventam sucumbem; o umbuzeiro, porém, mostra que a resiliência é o caminho, não apenas no reino vegetal, mas também para nós, que tantas vezes evitamos o sacrifício.
A natureza é repleta de artistas e artes diversas, todas reinventando-se sem exceção. É o universo moldado pela exigência implacável do tempo. Viver e desenvolver reservas de sobrevivência é uma mensagem clara que ecoa em todas as árvores da vida: lutar, resistir e enaltecer a arte de viver. Assim como a natureza nutre e recompensa aqueles que escolhem lutar por dias melhores, nós, dotados de razão, podemos, e devemos, criar caminhos alternativos que nos fortaleçam e nos conduzam a vitórias.
Enquanto houver força e esperança, a luta precisa seguir adiante. E quando, em algum momento da vida, elas parecerem ausentes, é sinal de que chegou o verdadeiro desafio: recomeçar, se necessário, do início. Não se trata de desafiar o tempo, mas de compreender o que ele nos pede, iniciativa, coragem e ação.
"O conhecimento é um farol na escuridão"

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