A consciência da finitude humana nos convida a aceitar que viver e morrer são partes inseparáveis de um mesmo processo natural. Em vez de fugir dessa realidade, talvez o mais sensato seja reconhecer que cada dia vivido é também um passo a menos na jornada da existência. O propósito não é fixar-se na morte, mas respeitar sua inevitabilidade e a evidência de sua presença. Assim, podemos nos entregar plenamente à vida, sem ignorar os ciclos que a sustentam.
Não é por acaso a recomendação de viver cada dia como se fosse o último. À primeira vista, isso pode soar assustador, mas é justamente a negação dessa verdade que antecipa nossas dores. A consciência existencial nos exige abertura de mente e preparo para aceitar o ciclo natural de começo e fim. Diante dessa realidade, de que adianta temer o inevitável?
Somos todos finitos. Entre o instante da chegada e o momento da partida, cabe a nós cultivar gratidão pela oportunidade de existir. Cada pessoa carrega um tempo singular e uma vida única, mas todas compartilham a condição de uma existência previamente delimitada.
A sociedade moderna demonstra uma tendência crescente em aceitar a finitude humana. Ainda assim, muitas pessoas sofrem intensamente com a perda de entes queridos, pois depositaram expectativas no amanhã, um amanhã que pode não chegar, já que o tempo é soberano e não nos deve explicações. Enquanto algumas culturas tratam o tema com singularidade e serenidade, em outras o peso emocional tende a sufocar ainda mais as perdas, afastando a lógica da consciência existencial.
A consciência de que a morte existe, nos impulsiona a buscar uma vida com propósito, revelando a complexidade da natureza humana. O fim biológico é inevitável, e a humanidade carrega o privilégio e também o peso de saber que sua existência é finita. Não sabemos quando, mas temos a certeza de que esse momento chegará. Por isso, é essencial respeitar a vida e as escolhas de cada um, sem a pretensão de possuir qualquer autoridade definitiva sobre o viver ou o morrer.
"O conhecimento é um farol na escuridão"

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