O coração de uma casa é tão singular quanto as digitais de quem nela habita. Nenhum visitante é capaz de medir os segredos que ali repousam, e ainda assim alguns ousam administra-lo com uma competência ilusória típica dos tolos. Como infelizmente são muitos, precisamos de sabedoria e equilíbrio para suportar essa gestão invasora e pretensiosa.
Não é por acaso a tese das muitas moradas na casa do Pai: somos nós mesmos essas moradas. O difícil é compreender ou aceitar pessoas que acreditam conhecer a intimidade da casa alheia. As sementes das ervas daninhas também são fortes, mesmo invisíveis, e nascem entre aquilo que cultivamos sem nos dar escolha, impondo sua presença contra nossa vontade.
O coração da casa pode assumir formas distintas, pois não é raro ouvirmos que “paredes têm ouvidos” e que até os matos guardam segredos. Talvez o mais sábio seja silenciar e permitir que apenas o vento carregue nosso silêncio. Assim, ninguém terá acesso antecipado aos nossos projetos pessoais; quando for a hora certa, o próprio universo se encarregará de revela-los. Não se trata de medo ou superstição, mas de pura lógica.
Como diz Provérbios 16:3: “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” A ordem é clara: entregar o projeto a Ele antes que os outros saibam. Há um motivo para um alerta tão firme. O coração da casa que somos nós precisa pulsar com força, garantindo vida e autenticidade. Que possamos, ao menos, viver nosso papel sem sofrer com o peso de um gerenciamento externo e invasivo.
O som do coração só pode ser verdadeiramente percebido por quem o carrega. É sábio escuta-lo com atenção. Há uma certeza inquestionável: é urgente aprender a administrar nossas próprias batidas e reconhecer o momento em que algo não vai bem. Só então, ao cuidar dele, seremos capazes de ouvir e conduzir o coração da nossa própria casa.
"O conhecimento é um farol na escuridão"

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