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O Olho da Serpente


O olho da serpente possuía uma visão incomparável. Diferente de tantas outras, temidas pela força ou pelo veneno, esta criatura vinda das estrelas reforçava a ideia de que as aparências enganam. Safira, em uma de suas missões de apoio a Malin, teve a inspiração de surpreender os terráqueos com um presente: lançou uma serpente nas águas marinhas. Ela escolheu como morada uma garganta entre dois rochedos no meio do oceano, tão altos que, quando as ondas os atingiam, a espuma tocava as nuvens. Mais do que buscar alimento, parecia deleitar-se com o perfume das ondas.

A cobra gigante era aliada do tempo, pois a pressa jamais fez parte de seus planos. Respeitada pela força, mas não pelo perigo, não possuía a exuberância de Orock, mas vivia em harmonia com seu mundo, sem necessidade de atacar. Suas energias vitais eram um presente do deus do mar. Nascida sob a constelação de Órion, trazia em si o âmago da liberdade. Longe de ser rastejante, era soberana, e sua soberania era absoluta.

Desenvolveu a rara habilidade de ser reverenciada sem subjugar os mais fracos. Assim nascem os verdadeiros heróis: sustentados por respeito, ética e valores essenciais à vida. A serpente escolheu esse caminho o de existir com dignidade, impondo sua presença não pelo medo, mas pela grandeza silenciosa de quem compreende o poder da liberdade.

Mesmo sendo um exemplo de bondade em comparação às demais serpentes, ela era um presente de Safira, um símbolo de sabedoria, nobreza e justiça. A partir disso, começou a visitar a Terra e a corrigir aquilo que a justiça humana não alcançava. Dotada de poder sobrenatural, jamais errava o alvo e punia com rigor os crimes hediondos. Surgia de forma inesperada e conduzia tais criaturas às profundezas, não para matá-las, mas para lhes retirar a liberdade a maior riqueza de um povo.

O olho da serpente passou a vigiar o planeta como uma câmera invisível, e desde então não existiria mais crime perfeito enquanto Safira não a chamasse de volta para Órion. Alguns, menos atentos, ririam ou duvidariam de sua existência. Para esses, o ideal seria aprender a enxergar com os ouvidos, pois só assim compreenderiam a verdade do olho da serpente.

A serpente presenteada por Safira está ligada ao universo humano, mas ao contrário deste, que vive na pressa e no julgamento constante, ela habita entre os rochedos do oceano sem se apressar. Age apenas no tempo exato, um tempo que não é o nosso, nem o dela, mas o do próprio destino, insensível e, ao mesmo tempo, justo.

O único escudo verdadeiro é o amor. Quem ama respeita a vida e compreende as diferenças. Muitos anjos já passaram por este mundo para ajudar, mesmo habitado por lobos em pele de cordeiros. Agora, é a serpente quem traz a justiça. Este planeta é singular, onde tudo se torna possível. Diante disso, resta a nós vigiar nossas próprias ações e corrigi-las, pois é melhor fazê-lo por vontade própria do que cair sob o olhar implacável do olho da serpente.


"O conhecimento é um farol na escuridão"




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