25 de mar. de 2026

Olhando Para o Céu


Olhando para o céu, ele se deixava envolver por uma chuva de lágrimas coloridas, um espetáculo das nereidas que dançava sobre o firmamento. Sozinho, perdido no meio do nada, permanecia o homem que admirava o mistério da noite. Seu olhar fixo nas galáxias e nas estrelas cadentes que riscavam o universo parecia mergulhar no próprio cosmos. O silêncio absoluto, apenas interrompido pelo cântico distante de uma coruja, agora se misturava ao soluço que escapava, quebrando a concentração daquele observador do infinito.

De repente, ao seu lado surgiu um menino de roupas esfarrapadas. Antes mesmo de qualquer palavra, o homem o envolveu num abraço firme, transbordando carinho e segurança. Então, com voz serena, perguntou-lhe a razão dos soluços e onde estaria sua família. A criança respondeu: — Minha família é imensa. Sou filho da mata, e me entristece ver um mundo tão belo sendo destruído há milênios.

— Sabe, meu senhor, até mesmo nas áreas rurais já são poucos os que levantam os olhos para contemplar as estrelas. Os riachos estão secando, a fauna desaparece, e a humanidade, tão fascinada pela tecnologia, esquece que tudo começa aqui, nas veias da terra. Água, oxigênio, minerais, elementos simples, essenciais à vida, agora são ignorados. Passo noites inteiras olhando para o céu, na esperança de encontrar algum anjo e fazer um pedido. Mas parece que eles desistiram de nós. E, no entanto, precisamos deles… precisamos que os inocentes, os esquecidos e os excluídos recebam, ao menos, um sopro de esperança vindo de alguma divindade.

— Senhor, toda a riqueza permanecerá na Terra. Ninguém é dono de nada, nem mesmo da própria vida. Por que permitiram que a ganância e a desigualdade dominassem o mundo? E, ainda que a liberdade de escolha seja indispensável, por que não criaram limites para proteger os mais frágeis? Será que se esqueceram de nós?

Não, o Senhor de tudo conhece o tempo certo para cada ação. Sem avisos ou perguntas, as correções acontecem. Não se aflija: ainda existem pessoas que cuidam da natureza, que constroem comedouros e bebedouros, que replantam árvores, preservam fontes e amparam os menos favorecidos.

— Olhe para o céu… veja, uma estrela cadente! Faça um pedido. Mas, senhor, essa estrela precisa nascer dentro de cada pessoa. A luz que ilumina o mundo pode ser minha ou sua, mas é necessário que atravesse o espírito e alcance aqueles que vivem nas trevas. Eu sei disso… ainda assim, faça um pedido. Ao fazê-lo, você estará regando as fontes misteriosas que sustentam a vida, pois nem tudo é visível aos olhos. Faça-o em silêncio, com a mais pura inocência, o universo escuta.

O homem voltou o olhar para o menino, que agora parecia mais tranquilo. — Pode me dizer seu nome? — perguntou.

O menino apenas se aproximou, envolveu-o num abraço silencioso e murmurou: — Continue olhando para o céu. Logo surgirão muitas estrelas, e entre elas haverá uma especial para cada pessoa que não desistir. Essa estrela fará contato… e será o momento de fazer o pedido.

De súbito, o homem percebeu apenas o vazio entre si e o menino. Mas, ao erguer os olhos para o firmamento, distinguiu uma estrela que brilhava com intensidade única. Então, consciente e sereno, fez o seu pedido.


"O conhecimento é um farol na escuridão"






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