O mistério do batismo vai muito além da antiga tradição de abandonar o paganismo. Ele abarca um vasto oceano de sentimentos, que se estende do rito tradicional às formas mais diversas de nomear alguém ou algo. Batizar é sempre um gesto carregado de significado: não o faríamos sem que houvesse emoção, respeito ou memória a sustentar esse ato. Nos tempos antigos, a mortalidade infantil era assustadoramente elevada. Quando uma criança adoecia, o batismo era apressado, pois, segundo as tradições de então, acreditava-se que crianças pagãs não poderiam alcançar o céu.
Que absurdo! Como se não bastasse a vida precária de tantas famílias, ainda se criou a ideia de um Deus exclusivo para os batizados. Felizmente, com o tempo, as mentes evoluíram e surgiram novas interpretações sobre Deus e o batismo. Hoje, dar um nome e batizar alguém, ou até algo, tornou-se um gesto comum, profundamente ligado ao emocional de cada pessoa e ao significado daquele momento em sua vida.
Gosto de dar nomes a muitas coisas, especialmente aos meus livros. Certa vez, numa tarde que se estendia pela noite, eu conversava com uma amiga quando ouvimos um som familiar. Ao erguer os olhos para o firmamento, ela comentou: “É o cachorro do céu que vai passando.” Na verdade, tratava-se de uma Suindara, a coruja-das-torres, também conhecida como coruja branca. Mas, por algum motivo, ela a batizou de “cachorro do céu”, talvez pelo canto que soa quase como um aviso.
Um simples exemplo mostra que nem sempre chamamos alguém ou algo pelo nome verdadeiro ou científico. Muitas vezes, criamos um apelido carinhoso ou escolhemos o primeiro nome que surge em nossa mente, e não há nada de errado nisso. Para aquela moça, a Suindara era o “cachorro do céu”, e esse batismo dado à coruja acabou inspirando esta postagem.
Portanto, a importância de criar e batizar está em viver o momento sem imposições ou obrigações. Talvez seja uma válvula de escape para quem precisa respirar novos ares. Quem sabe, para a moça do “cachorro do céu”, o som emitido pela coruja em seu voo majestoso tenha sido o único detalhe diferente em sua rotina diária. É assim mesmo: em muitas ocasiões, mensageiros surgem para atrair nossa atenção e nos ajudar a escapar da dura realidade da repetição cotidiana.

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