O prazo de validade não se aplica apenas a produtos específicos nós, seres humanos, também somos inseridos nessa lógica de avaliação. É lamentável perceber que, ainda hoje, pessoas consideradas “com validade quase vencida” sofrem com preconceito e exclusão. Embora não seja uma prática universal ignorar idosos ou pessoas debilitadas, no Brasil ainda há um longo caminho a percorrer para reduzir discriminações e garantir que direitos e dignidade sejam plenamente respeitados.
Em países cuja cultura valoriza mais a experiência humana, o idoso é reconhecido como fonte de sabedoria e referência de vida, recebendo respeito e tratamento digno. No Brasil, porém, ainda é comum o desprezo cotidiano dirigido às pessoas idosas. A quem recorrer, se os órgãos responsáveis parecem funcionar como arquivos mortos, onde a voz do idoso perde espaço e relevância? Durante campanhas eleitorais, políticos abraçam moradores de rua e demonstram compaixão; mas, uma vez eleitos, muitos ignoram o direito de cidadania e se tornam cegos e mudos diante das necessidades reais da população.
Essa distorção cultural exige mudanças urgentes. É necessário criar e aplicar leis que identifiquem e punam aqueles que ferem os direitos do idoso. O mais curioso é que todos os dias, quem está vivo envelhece e se aproxima do chamado “prazo de validade vencida”, mas ainda assim leigos e ignorantes circulam livremente, perpetuando preconceitos. Não é aceitável que se ignore o verdadeiro conceito de família: quase todos têm parentes, amigos ou conhecidos em idade avançada. Fugir dessa realidade é negar a própria condição humana. Ser um pouco mais humano e consciente é reconhecer que o tempo passa para todos, e que dignidade não pode ter prazo de validade.
Cidadania: quando será, de fato, implantada de forma racional? Já basta de fechar os olhos para um problema que cresce em velocidade alarmante. Vocês, políticos e defensores da garantia dos direitos, onde estão escondidos? O poder de aplicar a lei nunca esteve, e não está, nas mãos dos menos favorecidos. Cabe às autoridades competentes assegurar o exercício da cidadania, com multas, punições e prisões para todos que, de forma dolosa e preconceituosa, ferem a dignidade humana. A vida também tem prazo de validade, e antes que ele se encerre, precisa ser vivida com respeito e dignidade.

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