Alma literária é uma energia que habita todos nós. Cada pessoa, seja por meio de contos falados ou escritos, músicas, fotografias ou páginas nas redes sociais, constrói literatura, uma força que atrai seguidores e nos retira do anonimato.
Nos sertões de antigamente, os cordelistas entoavam romances de paixões e aventuras. Havia público fiel que já saía de casa trazendo na memória o nome de um romance para que fosse cantado. Essa tradição era como um filme projetado sob a luz do luar, onde a cultura se tornava espetáculo e poesia viva.
Outras culturas também se manifestavam nos terreiros, através das histórias contadas, das modas inventadas na hora, das piadas e adivinhações. Tudo isso compõe a alma literária que atravessa gerações e permanece viva na memória coletiva.
Hoje, a literatura ocupa um patamar elevado: bienais, feiras de livros, concursos literários, além de editoras tradicionais e emergentes. Esse cenário representa um salto gigantesco para a arte literária, que se reinventa e se fortalece como expressão essencial da humanidade.
Para quem se lança na aventura de escrever um livro, o conselho é simples: escreva com a alma. Sou escritor e conheço de perto os desafios de ingressar no universo da literatura escrita. Não basta dominar a técnica ou escrever bem; é preciso persistência.
Há casos de autores cujo reconhecimento só veio após a morte. Diante disso, a lição é clara: continue escrevendo, e acreditando nas possibilidades. Eu escrevo para a vida, e meus trabalhos percorrem estilos múltiplos, da autoajuda à ficção, da fantasia a inúmeros contos que buscam ilustrar a essência da existência. Acredito que as críticas literárias são fundamentais para aprimorar a qualidade da escrita.
Há também aqueles que sugerem mudanças curiosas; um amigo, por exemplo, disse que meus livros seriam “proibidos para diabéticos”, por serem doces demais. Ele sugeriu que eu escrevesse sobre temas polêmicos, violentos, e até comentou: “Comprei o seu livro O Enviado de Órion pensando que viria melhorar o mundo com uma espada justiceira, mas o personagem chegou falando de amor entre os povos. Que tipo de guerreiro é esse?”
Agradeci a crítica, mas observei que já na sinopse do livro está clara a missão de Malin. Eu poderia escrever sobre os temas que ele considera mais atraentes, mas a minha alma literária fala mais alto. Reconheço que as editoras buscam retorno, e que o público se apresenta a cada dia, com escolhas diferentes. Ainda assim, tenho meus leitores que apreciam uma escrita leve, divertida, capaz de alcançar a alma de uma forma singular.
Para quem escreve pensando exclusivamente em sucesso ou dinheiro, não há problema algum, sou defensor da liberdade de escolhas. Mas, se o objetivo for reconhecimento e legado, então escreva com simplicidade, desde que em alguma página do seu livro alguém possa parar e refletir sobre o que leu.
Reafirmo que todos os estilos literários carregam mensagens significativas. No entanto, eu continuarei escrevendo para defender um mundo menos desigual e mais consciente. Em breve, o mutante Malin retornará em outra missão de reconstrução, e acredito que lutará incansavelmente para reduzir as diferenças. Pode até soar como utopia, mas quem se propõe a vencer precisa ser resistente e persistente.
"O conhecimento é um farol na escuridão"

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