Perdido no deserto, tendo como únicas companhias o calor abrasador , a sede implacável e a incerteza do destino, sustentava-se pela esperança que lhe dava forças para seguir e enfrentar a travessia. Ao meio-dia, o solo fervia tanto que ondas de calor dançavam sobre a terra, tremendo como miragens . Os pés ardendo na areia escaldante faziam-no acreditar que caminhava pelo próprio caminho do inferno. Quando o dia enfim se despediu, a noite trouxe consigo uma brisa suave que apagava os rastros deixados na jornada. Exausto, encontrou uma árvore esquelética e repousou sob seus galhos secos, que pareciam espectros esquecidos pelo tempo. A fome e o cansaço tornaram-se seu sonífero, e ele adormeceu. Na madrugada, despertou e, ao erguer os olhos, viu um brilho acima da cabeça. Levantou-se lentamente para descobrir o que era e, para sua surpresa, uma gota de orvalho escorria serena. Ele bebeu como se fosse a última dádiva da vida. Animado, deixou-se levar pela fome e mordeu o galho umedecido, q...