Contos e Encantos
14 de fev. de 2026
Contos e Encantos: No Carnaval da Vida
No Carnaval da Vida
No carnaval da vida, todos somos foliões. Às vezes brilhamos nos destaques das alegorias, outras vezes sambamos discretos no chão, como passistas anônimos. Seja no alto dos carros alegóricos ou nos bastidores que os sustentam, quase sempre vestimos a fantasia de uma alegria contagiante, mesmo quando a alma se afoga em rios de lágrimas.
Enquanto os carnavais oficiais duram apenas três dias, o nosso carnaval existencial é longo, intenso e desafiador. E nele, a comissão julgadora jamais se engana, nem repousa nos camarins. Se a chuva desce sobre o asfalto da avenida e apaga o brilho do sapato do passista, a lágrima que escorre em nosso rosto não nos detém. Seguimos firmes no desfile da existência, sustentados pela esperança de resultados mais grandiosos do que qualquer nota de apuração na quarta-feira de cinzas.
Na apoteose do samba, a cada ano as escolas desfilam enredos inéditos, contagiando os foliões nas arquibancadas. Mesmo quando homenageiam personagens já conhecidos, cada narrativa ganha novas cores, detalhes e brilhos. A bateria, com sua energia única, sacode o público e renova o espetáculo. Nós também, com um repertório variado de problemas e desafios, precisamos inovar e nos reinventar. É preciso encarar o nosso desfile com sangue, suor e lágrimas para, ao final, encontrar motivos para sorrir.
Mestre-sala e porta-bandeira dançam diante da comissão julgadora vivendo seus instantes únicos, e sonhando com a nota máxima. Na escola da vida, tantas vezes somos mais espetáculo do que originalidade e não por escolha, mas por urgência. O estandarte é pesado, mas ainda assim preferimos cambalear com ele a deixá-lo cair.
Que sigamos desfilando no grande carnaval da vida, com energia e firmeza nos pés para sambar sobre os problemas. Que as alegrias sejam abundantes e que a comissão julgadora do universo nos presenteie com notas generosas. Que a nossa bateria nunca perca o compasso, e que a própria vida se transforme em um majestoso carro alegórico, onde nós sejamos sempre o destaque principal.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
12 de fev. de 2026
Contos e Encantos: Prazo de Validade
Prazo de Validade
O prazo de validade não é apenas uma questão comercial, em que produtos vencidos deixam de ser vendidos por não atenderem às exigências de uma sociedade moderna e organizada. Na prateleira da vida, também existem milhares de pessoas consideradas “fora do prazo”, e o mais preocupante é que, enquanto os produtos físicos são submetidos a uma fiscalização rigorosa, o acompanhamento da validade humana é tratado com muito mais suavidade e descaso.
O que precisamos, acima de tudo, é conscientizar a sociedade de que o bem mais precioso não está nas prateleiras, mas em nós, seres humanos. A partir dessa percepção, podemos exigir dos governantes maior atenção e responsabilidade, ao mesmo tempo em que assumimos o compromisso de fiscalizar nossa própria “validade”. Isso começa pelo cuidado com a saúde física e mental, pela defesa ativa dos nossos direitos e pela recusa em aceitar qualquer forma de indiferença ou descarte. Afinal, não somos produtos, somos vidas que merecem respeito e dignidade.
O que fazer? Evitar a inatividade, cuidar do corpo, alimentar a mente com boas leituras, participar de grupos que estimulem a interação, reciclar hábitos e atualizar o nosso “código de barras”, que nada mais é do que o convívio social. Afinal, à medida que perdemos a jovialidade, ganhamos experiência e esse detalhe é fundamental diante das críticas constantes ao público jovem. Eles são os novos “produtos”: ainda sem marcas renomadas, mas merecedores de atenção, confiança e incentivo.
Um exemplo concreto pode ser visto ao analisarmos a evolução dos veículos: dos modelos obsoletos do passado aos atuais Flex, Híbridos e Elétricos. O mesmo ocorre com a televisão, que passou do controle remoto com fio para a modernidade do Wi-Fi, sem falar nos avanços extraordinários da ciência e da tecnologia. Diante disso, como criticar ou comparar gerações anteriores com a nova? Cada época carrega seu próprio valor e significado, tudo acontecendo dentro do “prazo de validade” do tempo, que confere importância especial a cada momento vivido.
Não devemos nos julgar melhores nem piores, salvo raríssimas exceções. Nos produtos físicos, é essencial que continuemos atentos ao prazo de validade; já em relação a nós, seres humanos, o ideal é começar pela autoavaliação. Precisamos reduzir o excesso de crítica e compreender que não somos mercadorias com cupom fiscal o que deixa claro que não somos proprietários de ninguém, e esse detalhe não pode ser ignorado. No mercado de bens materiais existem trocas, desistências e até resistências, mas, ao final, tudo se resolve em aceitação.
Quanto a nós, seres humanos, no momento em que o ego se tornar menor e a aceitação diante das escolhas, mudanças e valores alcançar um nível mais elevado, estaremos trilhando um caminho de crescimento. Só então seremos mais valorizados e conscientes. E aqueles que se recusarem a cruzar os braços, que lutarem por dias melhores, talvez recebam até uma espécie de “Garantia Estendida”: o reconhecimento de que sua perseverança fez diferença.
11 de fev. de 2026
Contos e Encantos: Decisão Inteligente
Decisão Inteligente
Decisão inteligente exige coragem, discernimento e verdade. Não há espaço para evasivas: é preciso separar o emocional para evitar adiamentos ou justificativas e, enfim, agir. Cada vez que postergamos algo que inevitavelmente terá de acontecer, apenas prolongamos nosso desgaste e encurtamos o tempo de recuperação. Costumamos falar em “cortar o mal pela raiz”, mas esquecemos que muitas dessas raízes são invisíveis. Em questões pessoais, elas demoram a se revelar e justamente por isso é tão difícil enfrentá-las de imediato.
Em uma decisão inteligente, não faz sentido pensar em terceiros quando o problema é de primeira pessoa. Ainda que questões pessoais envolvam inevitavelmente conflitos externos, ação e razão são indispensáveis. Partindo da verdade universal de que nada é eterno, o ideal é decidir o quanto antes. Causa e consequência caminham lado a lado, mas a omissão pune de forma devastadora. Por isso, é sempre melhor agir do que se esconder na inércia.
Um alerta: no momento da decisão, é desaconselhável seguir orientações de pessoas que parecem ter soluções para todos os problemas, especialmente quando não são delas. Geralmente, essas pessoas estão mais perdidas do que nós mesmos. O caminho mais racional é fazer o que precisa ser feito. Há um detalhe importante: “eu pensei”, “me disseram”, “eu acho”, tudo isso representa um risco enorme. Decida com base em fatos e na verdade; só assim constrangimentos e acusações permanecem distantes.
Decidir é sempre desafiador, mas são justamente esses desafios que funcionam como termômetros da nossa capacidade de agir e superar. Errar tentando acertar é um ato muito mais heroico do que abraçar o fracasso por falta de coragem. Se há algo verdadeiramente imperdoável, é conviver com o peso do medo ou da covardia.
Coragem: todo esforço se torna recompensador quando lutamos pela nossa dignidade. A maioria das decisões pessoais costuma doer, mas a dor passa. E quando olhamos para trás e percebemos que superamos o que parecia insuperável, esse é o verdadeiro Oscar da vida.
10 de fev. de 2026
Contos e Encantos: Consciência Existencial
Consciência Existencial
A consciência da finitude humana nos convida a aceitar que viver e morrer são partes inseparáveis de um mesmo processo natural. Em vez de fugir dessa realidade, talvez o mais sensato seja reconhecer que cada dia vivido é também um passo a menos na jornada da existência. O propósito não é fixar-se na morte, mas respeitar sua inevitabilidade e a evidência de sua presença. Assim, podemos nos entregar plenamente à vida, sem ignorar os ciclos que a sustentam.
Não é por acaso a recomendação de viver cada dia como se fosse o último. À primeira vista, isso pode soar assustador, mas é justamente a negação dessa verdade que antecipa nossas dores. A consciência existencial nos exige abertura de mente e preparo para aceitar o ciclo natural de começo e fim. Diante dessa realidade, de que adianta temer o inevitável?
Somos todos finitos. Entre o instante da chegada e o momento da partida, cabe a nós cultivar gratidão pela oportunidade de existir. Cada pessoa carrega um tempo singular e uma vida única, mas todas compartilham a condição de uma existência previamente delimitada.
A sociedade moderna demonstra uma tendência crescente em aceitar a finitude humana. Ainda assim, muitas pessoas sofrem intensamente com a perda de entes queridos, pois depositaram expectativas no amanhã, um amanhã que pode não chegar, já que o tempo é soberano e não nos deve explicações. Enquanto algumas culturas tratam o tema com singularidade e serenidade, em outras o peso emocional tende a sufocar ainda mais as perdas, afastando a lógica da consciência existencial.
A consciência de que a morte existe, nos impulsiona a buscar uma vida com propósito, revelando a complexidade da natureza humana. O fim biológico é inevitável, e a humanidade carrega o privilégio e também o peso de saber que sua existência é finita. Não sabemos quando, mas temos a certeza de que esse momento chegará. Por isso, é essencial respeitar a vida e as escolhas de cada um, sem a pretensão de possuir qualquer autoridade definitiva sobre o viver ou o morrer.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
9 de fev. de 2026
Contos e Encantos: Na Ciranda da Vida
Na Ciranda da Vida
Na ciranda da vida, somos todos músicos e dançarinos. Não importa o som burguês de pianos e violinos, pois a batida dos tambores e atabaques ecoa como resistência popular. O mistério da ciranda é tão profundo que pode nascer nos terreiros das comunidades e, ao mesmo tempo, se entrelaçar aos corais da capela Sistina.
Dançar conforme a música já não parece escolha: é necessidade vital para nutrir corpo e alma. Os sons dessa ciranda, tão reais na luta pela sobrevivência, talvez um dia alcancem os ouvidos de alguma divindade e a inspirem a interceder pelo universo trazendo dias melhores para aqueles que dançam e contam histórias, para não sucumbirem à tristeza.
Tal qual o pescador em seu pequeno barco enfrentando o vendaval, resta-lhe apelar à sorte ou molhar a vela com a água do mar, para que pese e não se afaste tanto do destino traçado. Assim somos nós: se hoje a ciranda parece mais leve, é porque muitos de nossos ancestrais dançaram nos terreiros não para celebrar, mas para suportar a dor e reacender a esperança.
Que o batuque nas cozinhas e quintais ressoe cada vez mais forte, espalhando a energia vital em cada quizomba, e que as cirandas sejam infinitas como o pó da terra, esse pó que, sem distinção, acolhe e abraça todas as raças.
A ciranda da vida nos acompanha todos os dias, marcada por confianças e incertezas, altos e baixos, tão constantes quanto as ondas do mar. Em certos momentos, precisamos assumir o papel de maestro de nossa própria orquestra e fazê-la tocar. Há porém, um detalhe essencial: é preciso estar preparado tanto para aplausos quanto para vaias. Como nos concertos, alguns permanecem até o fechar das cortinas, enquanto outros se retiram logo no início. Em qualquer situação, a orquestra deve continuar tocando.
Assim é a ciranda da vida: uma música que não pode parar, mesmo diante das imprevisibilidades do público e do destino. Vamos celebrar a vida, e a esperança. Vamos dançar nossa ciranda, agradecendo ou confiando na graça que há de chegar, na roda da existência, somos ao mesmo tempo nobres e plebeus, unidos pelo compasso único da vida.
Salve, salve a igualdade, ainda que seja esta, imperfeita, mas necessária pois a vida é uma só, e nela todos cabem.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
Contos e Encantos: Churrasquinho, Toddynho, e Beijos
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