20 de jan. de 2026
Contos e Encantos: O Jardim do Vizinho
O Jardim do Vizinho
O jardim do vizinho pode até parecer perfeito, com grama verde e flores radiantes, mas até quando a humanidade continuará presa a essa visão míope? A metáfora revela o quanto desconhecemos a realidade alheia: não sabemos quem é o jardineiro, quanto tempo dedica ao cuidado, nem o esforço que existe por trás da beleza. Essa ignorância nos cega e nos faz esquecer do essencial voltar, olhar para o nosso próprio jardim, que também merece atenção, zelo e reconhecimento.
Certa vez, em meio a uma floresta, as plantas rasteiras trocavam palavras e refletiam sobre o valor que tinham e o modo como eram tratadas. A salsa, exibindo suas delicadas flores, desabafou ao capim: — Veja minha condição! Pisam sobre meus ramos, quebram meus galhos, enquanto aquele cedro recebe rega, poda e cuidados constantes, até exagerados.
Uma coruja buraqueira, que escutava a conversa, aproximou-se e disse à salsa: — Mas e as abelhas, as borboletas, ou até mesmo as crianças que se encantam com você... isso não conta?
— Ah, você voa, não entende nada da vida das plantas retrucou a salsa.
A coruja, serena, respondeu: — Eu observo todos os reinos, e sobretudo os humanos. Eles acreditam administrar muito bem a vida alheia, mas se enganam: não conseguem sequer resolver seus próprios problemas mais simples.
— Tente viver, dona salsa. Sinta o amor de quem a procura, das abelhas, das crianças, das borboletas. Esqueça o cedro, pois ele também carrega suas dificuldades.
A salsa, porém, balançou seus ramos em firme negação, recusando-se a aceitar a observação da coruja.
Alguns meses se passaram. Numa manhã ensolarada, chegaram homens à floresta e, após medir a circunferência do cedro, um deles disse ao outro: — Está no ponto. Ligue a motosserra, vamos levá-lo para a serraria.
O cedro, majestoso até então, começou a tombar. Logo foi reduzido a toras de diferentes tamanhos.
A coruja, que repousava em um dos galhos, voou até a salsa e murmurou: — Veja o cedro... Ele já está caindo. Você percebe? Quanto a você, seus galhos não foram destruídos, apenas sofreram pequenos machucados.
A metáfora do jardim do vizinho nos lembra das vidas, conquistas e dores que pertencem ao mundo alheio. Enquanto desviamos o olhar para além do muro, esquecemos que poderíamos valorizar e cultivar melhor o nosso próprio espaço. Muitas vezes, estamos em uma condição mais confortável do que imaginamos, sobretudo se comparada à de tantos outros. É válido inspirar-se em exemplos de sucesso, mas sem jamais perder de vista a prioridade essencial: administrar e cuidar da nossa própria vida.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
15 de jan. de 2026
Contos e Encantos: A Lendária Alecto
A Lendária Alecto
A lendária Alecto é uma das três Eríneas, uma das divindades e temidas deusas da justiça vingadora. Embora pertença ao universo mitológico, sua figura pode ser vista como um poderoso alerta contra aqueles que cometem crimes morais. Segundo a tradição, Alecto jamais permite que tais infratores encontrem descanso, mantendo-os sob o peso incessante de sua fúria. Filha da deusa primordial Nix, ela carrega consigo forças descomunais de ira, vingança e punição, sendo tão temida que os gregos evitavam até pronunciar seu nome.
Apesar de sua imagem aterrorizante, fruto das ações corretivas que impunha, Alecto não era inteiramente maligna. Sua essência estava enraizada em uma justiça implacável, que preservava a ordem do mundo e impedia que a dignidade humana fosse reduzida ou banalizada.
Dotada de uma presença mais terrena, Alecto perseguia os infratores carregando tachos de fogo, impedindo-os até mesmo de repousar. Para cada crime, havia um castigo inevitável, aplicado sem se deixar suavizar por súplicas ou lamentos, em oposição ao sentimento de perdão. Implacável e justiceira, sua essência não se limitava à vingança: era a guardiã de uma justiça divina, que se erguia acima das fragilidades humanas.
Em certa ocasião, em diálogo com a leitora M.C.L., surgiu uma reflexão sobre o sofrimento da humanidade. Ela observou que, talvez, suas causas estejam ligadas às correções do destino diante de crimes cometidos, sejam eles de ordem física ou psicológica. Sob a ótica universal, nada permanece impune. Tal percepção pode soar aterradora, mas revela-se indispensável para que o mundo não se desfaça em caos. É nesse rigor que o véu espesso da maldade se rasga, permitindo que a luz da justiça irrompa e se faça presente.
É inegável que a humanidade se encontra em constante evolução, seja em direção ao progresso ou ao retrocesso. Não se deve esquecer que a lendária Alecto, talvez capaz de insuflar vida, acabará por alcançar a mim, a você ou qualquer outro que desafie o olhar que tudo observa. Esse olhar não tem pressa: cedo ou tarde, baterá à nossa porta. A grande dádiva, contudo, é que alguns recebem a chance de redenção, podendo corrigir seus erros enquanto ainda há tempo, pois o mistério que envolve essa força é infinito.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
14 de jan. de 2026
Contos e Encantos: O Arcanjo Miguel
O Arcanjo Miguel
O Arcanjo Miguel, envolto em seu azul protetor, alcançará todos aqueles que confiam no poder do amor e do merecimento afinal, não custa nada acreditar. Líder supremo da milícia celestial, Miguel é reverenciado em diversas tradições religiosas como um guerreiro incansável contra as forças do mal. Não se trata do mal segundo o julgamento humano, mas daquele que ele, justo e soberano, reconhece, refletindo o significado de seu nome: “semelhante a Deus”.
Ergue-se como uma bandeira contra a soberba do demônio, esse intruso que se infiltra nos corações de muitos. Muitas vezes confundido com outro anjo de elevada hierarquia, Miguel se distingue por não se afastar das batalhas, mesmo das menores, permanecendo firme em sua missão de proteger e guiar.
O azul de Miguel, símbolo de bondade e proteção, reflete o próprio azul do céu, amplo e acessível a todos. Sua batalha é travada em defesa da humanidade, e como grande príncipe celestial, age de forma incondicional. Mesmo contemplando cada um de nós com nossas dificuldades, ele dá prioridade àqueles que clamam por auxílio, pois quem pede recebe atenção. OBS; (Essa interpretação é do autor, o que pode ser contestada, no entanto quem pede demonstra necessidade e humildade).
Esse azul sagrado simboliza a vitória sobre a escuridão, uma sombra que se expande de forma assustadora entre os povos, mas que diante da luz de Miguel encontra barreiras e se desfaz em esperança. A verdade é que, em nossa jornada espiritual, nem sempre dispomos da sabedoria necessária para enfrentar os desafios que surgem. Por isso, o caminho mais seguro é recorrer àquele que detém o poder verdadeiro: um defensor celestial, capaz de nos guiar e proteger.
Independentemente de quem sejamos, todo ser humano necessita acreditar em algo maior do que este mundo. Ao longo de milênios, nossos ancestrais ergueram os olhos ao firmamento em busca de auxílio, e é quase impossível negar a presença de um ser supremo, fonte de bondade infinita. Crer, pedir e agradecer, talvez aí resida a verdadeira salvação da humanidade.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
11 de jan. de 2026
Contos e Encantos: Uma Visão Futurística
Uma Visão Futurística
Uma visão futurística surgiu como um sonho, daqueles que parecem mais um aviso do que uma fantasia. Um rapaz me chamou para acompanhá-lo em uma missão. Tudo era estranho e desafiador: o mundo estava tomado por tensão e desespero, enquanto um incêndio devastador se espalhava pela terra. Ele avançou pelo fogo intenso e, surpreendentemente, as chamas se transformavam em pequenos focos de fumaça por onde passava.
Senti que precisava segui-lo. Ao entrar nas labaredas, meus pés queimaram e um calor abrasador tomou conta do meu corpo. Mas, à medida que eu avançava, o fogo já não me feria; nem brasas, nem calor. O desejo de acompanhá-lo na missão me envolveu de tal forma que o perigo deixou de existir.
Ele se movia rápido, e eu só conseguia acompanhá-lo pela trilha que deixava ou pelo movimento das folhas. Já distante, ouvi sua voz: “Encontre Pedro.” Passei a chamá-lo em meio ao caos, até que uma resposta ecoou: “Estou aqui.”
Segui a direção da voz e encontrei um ancião envolto em chamas, com olhos sombrios e uma longa barba avermelhada pelo fogo. Ao me aproximar, ele disse com firmeza: “Não pare. Continue sua missão.” E assim eu fiz.
Por onde meu guia passava, surgiam sinais de renovação e vida. Das profundezas da terra, ele trazia à tona criaturas que eu jamais havia visto. Humanos e seres estranhos se entreolhavam, incrédulos diante do que presenciavam. Eu corria em alta velocidade, determinado a não perder o contato com ele.
Chegamos a um deserto árido, de solo rachado e sem esperança. Ali, encontrei um bezerro tão magro que sua pele parecia colada aos ossos. Os olhos, enormes e salientes, fixavam-se em uma pequena touceira de capim seco. Foi então que meu guia ordenou: “Cave aqui.”
Sem hesitar, arranquei o capim e comecei a cavar com as próprias mãos. Um desconhecido correu em busca de uma ferramenta, mas ao retornar já não era necessário. O solo havia se tornado úmido e, ao retirar mais um pouco de terra, um jorro de água cristalina brotou. Imediatamente, muitos seres se aproximaram, atraídos pela nova fonte de vida.
Tomado pela emoção, ajoelhei-me, beijei a terra e deixei que as lágrimas corressem. Então, uma voz serena sussurrou: “Tenha calma, ainda há esperança na Terra.”
Essa visão futurística pode simbolizar tanto meu universo interior quanto a própria humanidade. Não devemos nos iludir: tempos difíceis e desafiadores virão. Contudo, a promessa de que a esperança permanece fará de cada um de nós voluntários na luta por dias melhores, para amparar os necessitados e reacender a chama daqueles que já perderam forças para buscá-la.
Desejo que esse período de provação demore a chegar, e que possamos desfrutar de paz por muitos e muitos séculos. Mas sei, no fundo, que ele virá.
"O conhecimento é um farol da escuridão"
5 de jan. de 2026
Contos e Encantos: Perdido no Deserto
Perdido no Deserto
Perdido no deserto, tendo como únicas companhias o calor abrasador, a sede implacável e a incerteza do destino, sustentava-se pela esperança que lhe dava forças para seguir e enfrentar a travessia. Ao meio-dia, o solo fervia tanto que ondas de calor dançavam sobre a terra, tremendo como miragens. Os pés ardendo na areia escaldante faziam-no acreditar que caminhava pelo próprio caminho do inferno.
Quando o dia enfim se despediu, a noite trouxe consigo uma brisa suave que apagava os rastros deixados na jornada. Exausto, encontrou uma árvore esquelética e repousou sob seus galhos secos, que pareciam espectros esquecidos pelo tempo.
A fome e o cansaço tornaram-se seu sonífero, e ele adormeceu. Na madrugada, despertou e, ao erguer os olhos, viu um brilho acima da cabeça. Levantou-se lentamente para descobrir o que era e, para sua surpresa, uma gota de orvalho escorria serena. Sorveu-a como se fosse a última dádiva da vida. Animado, deixou-se levar pela fome e mordeu o galho umedecido, que, por instantes, lhe serviu de alimento.
Naquele instante, sentiu a certeza de que o universo não o abandonaria. Elevou uma prece de gratidão pela gota de orvalho e pelo galho úmido dádivas simples, mas vitais para quem não tinha alternativas. Permaneceu desperto, contemplando a vastidão de estrelas que se espalhavam pelo céu, e deixou-se levar pelo pensamento de como seria o amanhecer. Imaginava que, quando o sol voltasse a nascer, e a noite retornasse mais uma vez, teria novamente a mesma sorte.
O sol nasceu rasgando uma nuvem avermelhada, como uma cortina que se abria lentamente diante do horizonte. Em poucos minutos, o calor já se intensificava, repetindo as cenas áridas do dia anterior. O desafio, porém, parecia ainda maior: a areia ardia tanto que até os répteis do deserto, incapazes de correr, saltavam desesperados em busca de refúgio para não queimarem as patas.
E como se o calor não bastasse, um redemoinho surgiu repentinamente, varrendo o chão com violência. A areia levantada pelo vento atingia seu rosto, queimando como pequenas faíscas que ardiam contra a pele.
Arrastado pela fúria do vento, foi lançado para longe, ficando com parte do corpo soterrada pela areia. Sem forças e tomado pelo desespero, acreditou ter chegado ao fim. Fechou os olhos e entregou seu espírito ao universo.
Então, uma nuvem cobriu o sol, suavizando o calor, e uma sombra se projetou ao seu lado. Com a visão turva e o corpo exausto, mal conseguia abrir os olhos, mas sentiu uma mão pousar um pano úmido e frio sobre seu rosto.
Uma voz serena sussurrou: — Será que essa travessia no deserto foi suficiente para você enxergar a vida de outra forma? Muitas vezes, as pessoas têm tanto que não sabem valorizar, e permanecem cegas diante daqueles que quase nada possuem.
Eu sou um anjo peregrino, e caminho entre os homens conduzindo-os por desertos distintos. Jamais me cansarei de ajudar, pois acompanho a jornada espiritual de cada ser humano. Alguns desertos serão longos, sob o sol escaldante; outros, noites frias sem cobertores. Mas nada disso é castigo são lições necessárias para a vida.
Com as asas, envolveu o viajante perdido e o ergueu, levando-o até um lago onde havia água cristalina e alimento em abundância. Antes de partir, deixou-lhe um último conselho: — Aprenda com cada deserto, pois é nele que se revela a essência da existência.
"O conhecimento é um farol na escuridão"
30 de dez. de 2025
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